Dieta para pacientes com hipertensão arterial

O padrão dietético DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), rico em frutas, hortaliças, fibras, minerais e laticínios com baixos teores de gordura, tem importante impacto na redução da pressão arterial. Um alto grau de adesão a esse tipo de dieta reduz em 14% o desenvolvimento de hipertensão. Os benefícios sobre a pressão arterial têm sido associados ao alto consumo de potássio, magnésio e cálcio nesse padrão nutricional. A dieta DASH potencializa ainda o efeito de orientações nutricionais para emagrecimento.

Como adotar o padrão dietético DASH:

  • Escolher alimentos que possuam pouca gordura saturada, colesterol e gordura total. Por exemplo, carne magra, aves e peixes, utilizando-os em pequena quantidade.
  • Comer muitas frutas e hortaliças, aproximadamente de oito a dez porções por dia (uma porção é igual a uma concha média).
  • Incluir duas ou três porções de laticínios desnatados ou semidesnatados por dia.
  • Preferir os alimentos integrais, como pão, cereais e massas integrais ou de trigo integral.
  • Comer oleaginosas (castanhas), sementes e grãos, de quatro a cinco porções por semana (uma porção é igual a 1/3 de xícara ou 40 gramas de castanhas, duas colheres de sopa ou 14 gramas de sementes, ou 1/2 xícara de feijões ou ervilhas cozidas e secas).
  • Reduzir a adição de gorduras. Utilizar margarina light e óleos vegetais insaturados (como azeite, soja, milho, canola).
  • Evitar a adição de sal aos alimentos. Evitar também molhos e caldos prontos, além de produtos industrializados.
  • Diminuir ou evitar a o consumo de doces e bebidas com açúcar.

Outras recomendações:

Redução da ingestão do sal.

A relação entre pressão arterial e a quantidade de sódio ingerido é variável entre as pessoas, algumas pessoas tem aumento da pressão arterial com a ingestão excessiva de sal e outras não, dependendo da  sensibilidade ao sal. Indivíduos com pressão normal com elevada sensibilidade à ingestão de sal apresentaram incidência cinco vezes maior de pressão alta, em 15 anos, do que aqueles com baixa sensibilidade. Alguns trabalhos demonstraram que o peso do indivíduo ao nascer tem relação contrária com a sensibilidade ao sal, ou seja, quanto menor o peso ao nascer, maior a sensibilidade ao sal, maior a possibilidade de ter pressão alta se ingerir sal excessivamente. Uma dieta contendo cerca de 1 g de sódio promoveu rápida e importante redução de pressão arterial em pacientes com pressão alta de difícil controle. Apesar das diferenças individuais de sensibilidade, mesmo modestas reduções na quantidade de sal são, em geral, eficientes em reduzir a pressão arterial. Tais evidências reforçam a necessidade de orientação a hipertensos e pré-hipertensos quanto aos benefícios da redução de sódio na dieta. A necessidade nutricional de sódio para os seres humanos é de 500 mg (cerca de 1,2 g de sal), tendo sido definido recentemente, pela Organização Mundial de Saúde, em 5 g de cloreto de sódio ou sal de cozinha (que corresponde a 2 g de sódio) a quantidade considerada máxima saudável para ingestão alimentar diária. O consumo médio do brasileiro corresponde ao dobro do recomendado.

Ácidos graxos insaturados

Observa-se uma discreta redução da pressão arterial com a suplementação de óleo de peixe (ômega 3) em altas doses diárias e predominantemente nos idosos. As principais fontes dietéticas de ácidos graxos monoinsaturados (oleico) são óleo de oliva, óleo de canola, azeitona, abacate e oleaginosas (amendoim, castanhas, nozes, amêndoas). Tem-se demonstrado que a ingestão de óleo de oliva pode reduzir
a pressão arterial, principalmente devido ao elevado teor de ácido oléico.

Fibras
As fibras são classificadas em solúveis e insolúveis. As solúveis são representadas pelo farelo de aveia, pectina (frutas) e pelas gomas (aveia, cevada e leguminosas: feijão, grão de bico, lentilha e ervilha). As fibras insolúveis são representadas pela celulose (trigo), hemicelulose (grãos) e lignina (hortaliças). A recomendação de ingestão de fibra alimentar total para adultos é de 20 a 30 g/dia, 5 a 10 g
devendo ser solúveis. O betaglucano, presente na aveia, determina discreta diminuição da pressão arterial em obesos, efeito não observado 
em indivíduos com peso normal.

Proteína de soja

As principais fontes de soja na alimentação são: feijão de soja, queijo de soja (tofu), farinha, leite de soja e o concentrado proteico da soja. O molho de soja (shoyu) industrializado contém elevado teor de sódio, devendo ser evitado. A substituição isocalórica de parte da proteína alimentar por um composto de soja associada a outras medidas não medicamentosas promoveu queda da pressão arterial em mulheres após a menopausa.

Oleaginosas

Há controvérsias sobre os efeitos da suplementação das diferentes castanhas em relação à redução da pressão arterial. O consumo de oleaginosas pode trazer benefícios à saúde se integradas a um plano alimentar saudável.

Laticínios
O consumo de duas ou mais porções diárias de laticínios magros correlacionou-se a menor incidência de pressão alta. Tais benefícios provavelmente estão associados ao maior aporte de cálcio.
Alho
O alho, cujo principal componente ativo é a alicina, tem ação metabólica, podendo atuar na coagulação, aumentando o tempo de sangramento e promovendo discreta redução de pressão.
Café e chá
Os polifenóis contidos no café e em alguns tipos de chás têm potenciais propriedades de aumentar a pressão. Os riscos de elevação da pressão arterial causados pela cafeína, em doses habituais, são irrelevantes.

Chocolate amargo

O chocolate amargo (com alto teor de cacau) pode promover discreta redução da pressão arterial, devido às altas concentrações de polifenóis.
Álcool
Há associação entre a ingestão de álcool e alterações de pressão arterial dependentes da quantidade ingerida. Claramente, uma quantidade maior de etanol eleva a pressão arterial e está associada a maiores problemas e mortalidade cardíaca. Por outro lado, as evidências de correlação entre uma pequena
ingestão de álcool e a consequente redução da pressão arterial ainda são frágeis e necessitam de comprovações. Em indivíduos hipertensos, a ingestão de álcool, agudamente e dependentemente da dose, reduz a pressão arterial, porém ocorre elevação algumas horas após o seu consumo. Tendo em
vista a controvérsia em relação à segurança e ao benefício cardíaco de baixas doses, assim como a ação nefasta do álcool na sociedade, aqueles que têm o hábito de ingerir bebidas alcoólicas não devem ultrapassarem 30 g de etanol ao dia, para homens, de preferência não habitualmente; sendo a metade dessa quantidade a tolerada para as mulheres. 30 g de etanol equivalem a 2 latinhas de cerveja ou duas doses de uísque. Para aqueles que não têm o hábito, não se recomenda que o façam.

 

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